terça-feira, 29 de maio de 2018

CONTO: Medo do Escuro


Há muitos anos, numa tarde chuvosa em que eu estava no escritório do meu pai, aguardando-o para ir para casa, encontrei uma velha máquina de escrever esquecida em um canto mal-iluminado de uma sala pouco utilizada. Na época eu nem sonhava em publicar ou sequer escrever um livro, mas já arriscava alguns parágrafos macabros por pura diversão e, o que é mais importante, já tinha ouvido histórias de terror em quantidade suficiente para saber que aquela máquina de escrever, ali, sozinha em cima de uma mesa empoeirada que ninguém utilizava, não poderia ser simples coincidência sem significado, mas, sim, um convite irrecusável do destino.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

NARRATIVAS DO MEDO – Vol. 2!


380 páginas de medo e perversões!!! Seguindo o sucesso da antologia Narrativas do Medo (e indo além!), eis que Vitor Abadala (autor de Tânatos e Macabra Mente) reúne de novo os principais nomes da ficção macabra do nosso país em uma coletânea de contos que abrange praticamente todas as vertentes do nosso gênero favorito: suspense sobrenatural, terror psicológico, gore explícito, criaturas demoníacas, lendas urbanas, seres fantásticos, psicopatas, perturbações, rituais, pesadelos, delírios... enfim, toda uma galeria de aberrações e mistérios para o nosso deleite de leitores ávidos por um bom calafrio!

O livro já está em pré-venda! Clique aqui para garantir o seu! Caso você ainda não conheça o primeiro volume da antologia, não perca mais tempo: adquira já o seu aqui ou aqui!

terça-feira, 8 de maio de 2018

TRAMAS DO ENTARDECER (Meshes of the Afternoon, 1943)


Curta-metragem experimental surrealista de 1943. Quatorze minutos de delírios obscuros. Um pesadelo se refletindo e se refratando em fragmentos abstratos num caleidoscópio em preto-e-branco. Vultos, rupturas, perturbações... "Tramas do Entardecer" (Meshes of the Afternoon), escrito, dirigido e estrelado por Maya Deren e Alexander Hammid, é um filme estranho, comparável a "Um Cão Andaluz" (Un Chien Andalou, 1929), que apresenta o surrealismo em sua mais pura forma, sem racionalismos ou explicações: apenas fluxos de sons e imagens do fundo da mente, com todos os seus chuviscos e ranhuras.

Assista aqui:

sexta-feira, 20 de abril de 2018

VERDADE, LOUCURA, IMAGINAÇÃO E CUBOS MÁGICOS


“Os que sonham de dia são conscientes de muitas coisas que escapam aos que sonham apenas à noite” – Edgar Allan Poe.
“A ficção é a verdade dentro da mentira” – Stephen King.
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento” – Albert Einstein.
“Ser normal é a meta dos fracassados” – Carl Gustav Jung.

Ninguém consegue conhecer algo a fundo sem um pouco de loucura. É impossível entrar em contato com a essência de uma verdade sem um toque de imaginação e ousadia. Sempre é necessário desmontar a realidade e dela escapar para que se possa compreendê-la.

terça-feira, 27 de março de 2018

CONTO: O Grande Silêncio, de Ted Chiang


Prometo que a próxima publicação será sombria e cheia de sangue e mistérios, mas desta vez terei que pedir licença aos leitores mais hardcores para compartilhar com vocês um conto que foge um pouco da temática do blog. Trata-se do conto "O Grande Silêncio", do escritor de ficção científica Ted Chiang.

sábado, 10 de março de 2018

Os 13 melhores filmes do mundo – Parte 4


Sim, mais uma lista! E uma lista com as mesmas regras das outras três já publicadas aqui no blog: despretensiosa, sincera e muito pessoal. Nada de filmes escolhidos só porque são considerados "filmes obrigatórios", desses que aparecem em todas as listas pela internet afora. Nada de filmes citados apenas por vaidade ou por tentativa forçada de fazer com que meu gosto pessoal se enquadre em um ou outro estilo ou grupo pré-definido. São, apenas, filmes bons, extraordinários, consistentes, que me marcaram de uma maneira muito profunda. Filmes que, no que se propõem a entregar para o espectador, são os que eu considero os mais bem-sucedidos.

Além da lista abaixo (que está em ordem alfabética de acordo com os títulos nacionais, e não de preferência), recomendo a leitura das três primeiras partes da minha lista-fetiche de filmes favoritos: Parte 1; Parte 2Parte 3; e um bônus: os cinco filmes que mais me perturbaram!

sábado, 28 de outubro de 2017

Uma página de loucura


O filme "Uma Página de Loucura" (Kurutta Ippēji), de 1926, foi uma das principais influências que tive para escrever A Caixa de Natasha.

Apesar de no livro haver apenas uma única referência direta (embora sutil) ao longa-metragem, a ideia para a atmosfera geral da história, com distorções de percepção em um hospício decadente que se assemelha a um pesadelo dentro de um caleidoscópio, deve muito a esse obscuro filme experimental japonês de Teinosuke Kinugasa.

Algumas curiosidades sobre "Uma Página de Loucura":

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

FLORES E CADÁVERES


Recentemente eu escrevi que "para mostrar uma flor, o artista deve ter uma floresta inteira cultivada dentro de si". Um amigo me disse que adorou a frase, mas estranhou ela ter vindo de um escritor de terror.

Pensei a respeito.

Eu poderia ter dito que "para mostrar uma ocultação de cadáver, o artista deve ter alguns corpos enterrados no quintal", mas, além de a nova metáfora fazer perder algumas nuances de significados da original, eu não sou nada bobo de ficar revelando meus segredos por aí...

sábado, 26 de agosto de 2017

Uma questão sobre pesadelos


Esta noite, enquanto eu dormia, sonhava com duas pessoas conversando tranquilamente. O conteúdo da conversa ou quem eram os interlocutores já me escapou da memória, mas sei que eles dialogavam sobre algo de pouca importância. Do que me lembro bem, porém, é que, num décimo de segundo, num súbito 100% inesperado de puro susto físico instintivo, um terceiro rosto, gritando com voz alta e áspera, pulou de dentro do rosto de um dos homens que conversavam em direção ao meu campo de visão, cobrindo-o por completo durante alguns instantes (algo similar ao que acontece quando, num susto barato de um filme de terror, um mostro aparece do nada e preenche toda a tela com uma asquerosidade arrepiante para a qual ainda não estávamos preparados).

sábado, 8 de julho de 2017

POR QUE SONHAR? POR QUE A ARTE?


“Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação” – André Breton, em “O Manifesto do Surrealismo” (1924).

Todo indivíduo humano, necessariamente, sonha. Mesmo o mais frio e objetivo dos homens, em algum ponto de seu dia, sem a sua permissão, terá sua mente invadida por fluxos estranhos de imagens aleatórias, frequentemente bizarras, quase sempre sem explicação ou sequer lastro na realidade.