quinta-feira, 18 de outubro de 2018

PENSAMENTOS ESTRANHOS E IMPRODUTIVOS


Decidi abrir uma seção nova aqui no blog, uma seção destinada apenas aos leitores mais intensamente curiosos e realmente dispostos a abrir a mente e o espírito para novas experiências existenciais, com todas as delícias e maravilhas que isso pode significar, mas também com todos os custos exigidos e os perigos inerentes. A seção será chamada "pensamentos estranhos e improdutivos", em referência à música do David Lynch. A ideia dos textos dessa seção é registrar aqueles pensamentos instáveis e fugidios que, como ágeis peixes fosforescentes, percorrem o mar insondável e incomensurável da totalidade da nossa mente e cruzam correndo os canais obscuros dos nossos neurônios em raios luzidios que são como o ofuscante brilho de um facada a abrir fendas no espesso véu da poeira e da teia de aranha fossilizada das nossas convicções, dos nossos preconceitos, das nossas crenças, dos nossos pontos de vista e de todos os outros limitadores da Consciência e da Imaginação.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

CONTO: A HISTÓRIA DE BYRON, A LÂMPADA, de Thomas Pynchon


Thomas Pynchon, o esteta da paranoia! Ah, mas que lunático! Se louco ou genial, nunca saberemos. Amado por uns, odiado por (muitos) outros e amado-e-odiado por tantos mais (categoria na qual eu me incluo), Pynchon é, para dizer o mínimo, incomum. Seu magnum opus, “O Arco-Íris da Gravidade” (Gravity’s Rainbow) é um calhamaço de mais de 700 páginas de ficção pós-moderna praticamente ilegível, com cerca de 400 personagens bizarras e mal-definidas vagueando em histórias absurdas que se interpenetram e se refratam, normalmente sem uma linha de continuidade discernível. Espere, em seus livros, personagens desaparecendo sem mais nem menos para nunca mais voltar, tramas surgindo do nada, histórias sem desfechos, pontas soltas, ausência completa das estruturas narrativas tradicionais e paranoia, muita paranoia.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O ÓCIO


Como tudo na vida, o ócio também pode ser benéfico ou maléfico para a nossa existência. A depender da predisposição a partir da qual lidamos com ele, o ócio pode ser um vício ou uma virtude (literalmente, oposição digna de gregos e troianos). Felizmente, no mundo contemporâneo, temos palavras distintas para cada espécie de ócio, e com base nos conceitos e interpretações dessas palavras podemos compreender nossos hábitos com maior clareza, sendo-nos possível realizar auto-avaliações mais sensatas e estruturar melhor nossas rotinas em busca de um equilíbrio ótimo entre produção eficiente e descanso revigorante.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

CONTO: O VERÃO INTEIRO EM UM ÚNICO DIA, de Ray Bradbury

Ray Bradbury, autor dos clássicos Fahrenheit 451 e As Crônicas Marcianas, apesar de já ter sido classificado como o maior escritor de ficção científica do mundo, descrevia a si mesmo de uma forma bem mais simples: “sou um contador de histórias. Isso é tudo o que eu já tentei ser”. Ainda que suas narrativas normalmente tenham por cenário o espaço sideral e planetas distantes, seus personagens são essencialmente humanos, com emoções e sentimentos palpavelmente humanos. Por meio dessa conexão entre o imaginário e o real, a ficção de Ray Bradbury instiga o leitor a questionar para onde estamos nos dirigindo e a pensar sobre o que podemos aprender a respeito de nós mesmos. O conto abaixo, uma de suas melhores produções, é uma fábula atemporal de tocar o coração.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

10 LIVROS INCRIVELMENTE BONS, MAS INCRIVELMENTE POUCO COMENTADOS


A lista abaixo é composta por 10 livros que eu considero absurdamente bons, bons muito além da média, mas que, por um motivo ou por outro, não são tão conhecidos quanto deveriam ser. Alguns deles até desfrutam de certa fama, mas quase nunca são lidos. Outros, em flagrante injustiça, são praticamente desconhecidos. Sendo de um caso ou de outro, todas as obras aqui mencionadas me proporcionaram experiências indescritíveis e me marcaram com força tanto como leitor quanto como escritor e, principalmente, ser humano.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

E SE SÓ PUDÉSSEMOS LER UM ÚNICO LIVRO?


"Se você só pudesse ler um único livro na sua vida inteira, qual livro você escolheria?"

Com frequência, entre leitores habituais, alguém faz essa pergunta como que num desafio bem-intencionado. Trata-se, é claro, de uma simples brincadeira sadia (e que eu adoro sempre, já que cada vez escolho um livro diferente). Mas o que eu responderia se, mais do que uma condição hipotética para conhecermos as preferências literárias dos nossos amigos e as nossas próprias preferências, a pergunta fosse mesmo pra valer?

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

CONTO: AXIOMÁTICO, de Greg Egan


Embora pouco conhecido do grande público no mundo em geral e praticamente ignorado em nosso país, Greg Egan é um dos mais importantes nomes da ficção científica escrita nos dias de hoje. Dono de uma mente brilhante, rigorosa e profundamente inventiva  tanto que o jornal Times qualificou-o como "um dos grandes homens de ideias do gênero da ficção científica" – Egan é, também, reservado a ponto de quase não conceder entrevistas, de não fazer aparições públicas e de se gabar em seu site pessoal do fato de que não existe uma única foto sua em local algum da internet.

domingo, 2 de setembro de 2018

Entrevista: Melvin Menoviks no blog Tudo Online Virtual


Entrevista originalmente publicada no blog Tudo Online Virtual em abril de 2018. Nesse bate-papo super abrangente, respondi a algumas perguntas inteligentes (além de divertidíssimas!) feitas pelo pessoal do blog Tudo Online Virtual, falando sobre temas que me são muito caros, como, por exemplo, os impulsos que levam uma pessoa a escrever ficção, os desafios que o escritor tem de enfrentar para encontrar a própria voz literária e os mistérios que caracterizam uma alma atraída pela ficção de horror. Além disso, também me arrisquei em algumas confissões auto-biográficas, comentando sobre minhas influências tanto nos livros quanto no cinema e relatando algumas vivências interessantes.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

CRIE! – Um apelo à sadia loucura que existe no interior de cada um de nós


“Viver é como andar de bicicleta: para ter equilíbrio você precisa se manter em movimento” – Albert Einstein.
O tempo, fatalmente, envelhece e mata. Não apenas as pessoas e as coisas, mas também cada partícula daquilo que existe dentro das pessoas e das coisas. Até mesmo ocorrências imateriais envelhecem: pense, por exemplo, na rotina perdendo seu sentido, nos hábitos familiares se tornando monótonos, nos costumes deixando de ter significado, naquela piada que já foi contada um milhão de vezes e em tudo o mais que se prolonga por muito tempo sem se reinventar.

domingo, 29 de julho de 2018

CONTO: OS OUTROS, de Neil Gaiman


OS OUTROS – Neil Gaiman
Tradução de Melvin Menoviks

“O tempo é fluído aqui”, disse o demônio.

Ele soube que era um demônio no momento em que o viu. Ele simplesmente sabia, assim como sabia que aquele lugar era o Inferno. Não havia qualquer outra coisa que qualquer um deles pudesse ser.