quinta-feira, 7 de junho de 2018

E SE SÓ PUDÉSSEMOS LER UM ÚNICO LIVRO?


"Se você só pudesse ler um único livro na sua vida inteira, qual livro você escolheria?"

Com frequência, entre de leitores habituais, alguém faz essa pergunta como que num desafio bem-intencionado. Trata-se, é claro, de uma brincadeira sadia (e que eu adoro sempre, já que cada vez escolho um livro diferente). Mas o que eu responderia se, mais do que uma intrigante condição hipotética para conhecermos as preferências literárias dos nossos amigos e as nossas próprias preferências, a pergunta fosse mesmo para valer?

sexta-feira, 1 de junho de 2018

SOBRE A LIBERDADE E A FICÇÃO DE TERROR


Tomar a ficção como uma forma de representar a realidade, dela destacando as cores e contornos que mais interessam ao ficcionista, é uma interpretação válida e sensata. Outro ponto de vista relevante – dentre todos os inúmeros possíveis – é aquele que nos faz enxergar a ficção como uma fuga voluntária da realidade (a “suspensão da descrença”, na feliz definição de Coleridge). Por uma perspectiva ou pela outra, ou mesmo nas misturas que podem existir entre elas, a concepção de que filmes, livros e jogos de terror fazem mal às pessoas (em especial às crianças) é um equívoco que até hoje trouxe mais prejuízos do que benefícios àqueles que, ainda que com boa intenção, tentaram censurar obras violentas e perturbadoras.

CURTA-METRAGEM: The Alphabet (David Lynch, 1968)

terça-feira, 29 de maio de 2018

CONTO: Medo do Escuro


Há muitos anos, numa tarde chuvosa em que eu estava no escritório do meu pai, aguardando-o para ir para casa, encontrei uma velha máquina de escrever esquecida em um canto mal-iluminado de uma sala pouco utilizada. Na época eu nem sonhava em publicar ou sequer escrever um livro, mas já arriscava alguns parágrafos macabros por pura diversão e, o que é mais importante, já tinha ouvido histórias de terror em quantidade suficiente para saber que aquela máquina de escrever, ali, sozinha em cima de uma mesa empoeirada que ninguém utilizava, não poderia ser simples coincidência sem significado, mas, sim, um convite irrecusável do destino.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

NARRATIVAS DO MEDO – Vol. 2!


380 páginas de medo e perversões!!! Seguindo o sucesso da antologia Narrativas do Medo (e indo além!), eis que Vitor Abadala (autor de Tânatos e Macabra Mente) reúne de novo os principais nomes da ficção macabra do nosso país em uma coletânea de contos que abrange praticamente todas as vertentes do nosso gênero favorito: suspense sobrenatural, terror psicológico, gore explícito, criaturas demoníacas, lendas urbanas, seres fantásticos, psicopatas, perturbações, rituais, pesadelos, delírios... enfim, toda uma galeria de aberrações e mistérios para o nosso deleite de leitores ávidos por um bom calafrio!

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terça-feira, 8 de maio de 2018

TRAMAS DO ENTARDECER (Meshes of the Afternoon, 1943)


Curta-metragem experimental surrealista de 1943. Quatorze minutos de delírios obscuros. Um pesadelo se refletindo e se refratando em fragmentos abstratos num caleidoscópio em preto-e-branco. Vultos, rupturas, perturbações... "Tramas do Entardecer" (Meshes of the Afternoon), escrito, dirigido e estrelado por Maya Deren e Alexander Hammid, é um filme estranho, comparável a "Um Cão Andaluz" (Un Chien Andalou, 1929), que apresenta o surrealismo em sua mais pura forma, sem racionalismos ou explicações: apenas fluxos de sons e imagens do fundo da mente, com todos os seus chuviscos e ranhuras.

Assista aqui:

sexta-feira, 20 de abril de 2018

VERDADE, LOUCURA, IMAGINAÇÃO E CUBOS MÁGICOS


“Os que sonham de dia são conscientes de muitas coisas que escapam aos que sonham apenas à noite” – Edgar Allan Poe.
“A ficção é a verdade dentro da mentira” – Stephen King.
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento” – Albert Einstein.
“Ser normal é a meta dos fracassados” – Carl Gustav Jung.

Ninguém consegue conhecer algo a fundo sem um pouco de loucura. É impossível entrar em contato com a essência de uma verdade sem um toque de imaginação e ousadia. Sempre é necessário desmontar a realidade e dela escapar para que se possa compreendê-la.

terça-feira, 27 de março de 2018

CONTO: O Grande Silêncio, de Ted Chiang


Prometo que a próxima publicação será sombria e cheia de sangue e mistérios, mas desta vez terei que pedir licença aos leitores mais hardcores para compartilhar com vocês um conto que foge um pouco da temática do blog. Trata-se do conto "O Grande Silêncio", do escritor de ficção científica Ted Chiang.

sábado, 10 de março de 2018

Os 13 melhores filmes do mundo – Parte 4


Sim, mais uma lista! E uma lista com as mesmas regras das outras três já publicadas aqui no blog: despretensiosa, sincera e muito pessoal. Nada de filmes escolhidos só porque são considerados "filmes obrigatórios", desses que aparecem em todas as listas pela internet afora. Nada de filmes citados apenas por vaidade ou por tentativa forçada de fazer com que meu gosto pessoal se enquadre em um ou outro estilo ou grupo pré-definido. São, apenas, filmes bons, extraordinários, consistentes, que me marcaram de uma maneira muito profunda. Filmes que, no que se propõem a entregar para o espectador, são os que eu considero os mais bem-sucedidos.

Além da lista abaixo (que está em ordem alfabética de acordo com os títulos nacionais, e não de preferência), recomendo a leitura das três primeiras partes da minha lista-fetiche de filmes favoritos: Parte 1; Parte 2Parte 3; e um bônus: os cinco filmes que mais me perturbaram!

sábado, 28 de outubro de 2017

Uma página de loucura


O filme "Uma Página de Loucura" (Kurutta Ippēji), de 1926, foi uma das principais influências que tive para escrever A Caixa de Natasha.

Apesar de no livro haver apenas uma única referência direta (embora sutil) ao longa-metragem, a ideia para a atmosfera geral da história, com distorções de percepção em um hospício decadente que se assemelha a um pesadelo dentro de um caleidoscópio, deve muito a esse obscuro filme experimental japonês de Teinosuke Kinugasa.

Algumas curiosidades sobre "Uma Página de Loucura":